Prólogo – Uma História Simples

— E toda vida sumiu.

Eu quero contar uma história simples, hipotética.
Um dia, quando você acordou, você notou que as luzes não acendiam.
Pensando que foi uma queda de energia, você checou o disjuntor, mas ele não estava caído.
O sol havia acabado de começar a nascer, e ainda nenhum dos membros de sua família estavam em casa.
E notando isto lhe deixa ansioso. Quando você vai para fora procurar por eles, os mistérios só continuam acumulando.
Primeiro, nenhum carro passa por você. Os semáforos nem estão funcionando.
Quando você corre para a loja de conveniência mais próxima, você não acha um traço de vida, e as portas automáticas não se abrem para você.
Num estado de confusão, você retorna para sua casa para buscar sua bicicleta, e usando ela, você segue para a estação. Como esperado, não havia um único carro na estrada, e você não passou por uma única pessoa.
Mesmo ao chegar na estação, você não acha ninguém lá.
Esse lugar era um que você estava familiarizado, e todo dia, ele estava lotado com pessoas indo e vindo.
Mesmo no meio da noite, táxis vem e vão, e nunca há uma hora em que ela está vazia.
Sua ansiedade muda para impaciência. Você pedala sua bicicleta de cidade em cidade, buscando por traços de vida humana.
E eventualmente, sua impaciência vira resignação.
Porque, mesmo com a mudança de cenário, ainda não há sinais de mais ninguém.
Antes de você perceber, você havia pisado na Capital, Tóquio.
Mas ainda, não há humanos, e você nota que você está ficando com sede. Seu estômago começa a fazer sons.
Enquanto você se sente levemente culpado, você entra numa loja de conveniência que chamou seu olho, deixa algum dinheiro com uma nota no caixa, e leva algum suco morno e um Onigiri com você. (NT: Bolinho de arroz)
Depois de terminar seu café da manhã tardio, você começa a reganhar sua compostura.
Se resolvendo à retornar para sua própria cidade… sua própria casa, você começa a seguir o caminho em que você veio.
Ônibus, trens, e outras formas de transporte público não estão circulando, e ainda, não há sinais de pessoas.
Claro, há carros e motos estacionadas paradas por toda parte.
Mas como todo o resto, elas estão vazias: desocupadas.

Levou mais tempo para voltar do que para ir, mas você chegou em sua casa.
Como esperado, sua família não está lá.
Olhando para a única casa que havia subitamente perdido seu senhorio, para resumir seus pensamentos, você estava cansado.
Quando você retorna para seu quarto, nada mudou desde manhã. É o quarto em que você está familiarizado.
Lembrando da sua fadiga, você se espalha por sua cama.
Tudo que entra na sua mente é a situação em que você se encontrou, e pesadelos.

Quando você acorda, a mesma luz da manhã que lhe cumprimentou ontem entra em seu quarto.
Com um pouco de esperança, você olha por toda sua casa, mas sua família não está ali.
Para café da manhã, você simplesmente termina o que quer que está em seu refrigerador que não funciona.
Ontem, você havia faltado quietamente, mas hoje, você decidiu colocar seu uniforme e atender a escola.
Ninguém lhe passa em no caminho familiar que você anda todo dia.
E nada muda quando você chega. Quando você entra no prédio da escola, e faz seu caminho até sua classe, você encontra ela vazia.
Ela estava usualmente lotada com seus colegas de classe; um lugar bem animado.
Você chegou muito mais tarde que o normal, e já é por volta das 10.
A sala de funcionários não é diferente. Ninguém está lá.

Tendo desistido da escola, você começa a investigar sua vizinhança.
Para poder achar traços se um único ser humano além de você permaneceu.
Mas seus esforços são gastos em vão.
As únicas coisas que você realmente descobriu foi que todas as lojas estavam fechadas, e não havia uma única pessoa a ser encontrada.
Você deita no meio da estrada principal, e pensa.
Por que todo mundo se foi? Por que você é o único?
E você chega numa única ideia.
Isso pode ser um pouco errado, mas você decide invadir ilegalmente.
Você anda até a casa de seus vizinhos, que haviam sido gentis com você desde que você era pequeno.
A porta da frente estava trancada, mas a porta dos fundos ainda estava aberta.
Assim que você entra, claro, a cena da casa de alguém se estica diante de você.
Mas ainda, ninguém estava lá.
E você notou.

— Pares de cutelaria, e pratos de comida estavam colocados na mesa.

Uma bela quantia de tempo havia se passado desde que a comida foi cozinhada, então ela está seca e fria.
Você não sabe apenas quanto tempo levaria para a comida ficar assim.
Mas você chuta que é por volta de dois a três dias.
Suas preocupações gotejantes jorram como uma cachoeira, e você sai correndo da casa.
Você continua invadindo toda casa na vizinhança, e chega a uma única conclusão.
Não é que todos partiram por vontade própria, um dia, por alguma influência, eles foram subitamente apagados da existência.

E os dias passam.
… Uma semana. Uma semana.
Por sete dias, você busca cada canto e beira, e tenta reunir informação.
Você segura a comida que você roubou da loja de departamentos em uma mão enquanto você pensa.
Em lugares com auto-geração e painéis solares, você pode usar eletricidade.
Sua casa não é mais aquela em que você cresceu. Você se muda entre as casas de estranhos que podem usar eletricidade.
Não é como se você não sentisse culpa por isso.
mas ser pego… você desejava que alguém aparecesse para lhe apreender por seus crimes.
Seus ideais cruelmente lhe traíram.

Você rapidamente reuniu os itens nas geladeiras que iriam estragar facilmente.
E não em apenas uma única casa, você espalhou eles entre todas as casas com eletricidade funcionando.
Você ouviu que enlatados podiam durar até dez anos após sua data de vencimento.
Mas ainda, uma larga quantia de comida ficará estragada.
Depois de cerca de duas semanas, o cheiro começou a se destacar.
Não só do seu próprio estoque, mas da cidade inteira.
Lixo que não havia sido jogado fora. Materiais de comida nas casas. O conteúdo dos refrigeradores não funcionando.
Mas a adaptabilidade humana é para ser temida.
Em tempos de grande estresse, você foi capaz de se acostumar à isso.
E então três semanas se passaram, e quando havia chego ao redor de um mês, você notou.
Não eram apenas humanos.
Ao redor da comida podre, empretecida, nem uma mosca circulava.
Quando você vai para a loja de departamentos, você não acha uma única barata.
Nenhum corvo graceja os céus, e mesmo depois de andar pela floresta, você não demonstra sinais de picadas de mosquito.

Sua única graça salvadora é que alimentos processados ainda estão de algum modo seguros.
Pode ser duro categorizar elas como vida, mas plantas ainda vivem.
Eventualmente, você se acostumou com a vida, e decidiu tomar um único caminho de ação.
Você procuraria por alguma vida além da sua própria.
De um instituto de treinamento próximo, você emprestou um manual sobre carros, e começou a estudar sem uma licença. (NT: Dirigir não é tão comum no Japão)
Alguns dias depois, após determinar que você ficaria bem, você começou sua viagem por carro.
No começo, você tinha algum medo com um carro se movendo, mas até isso rapidamente sumiu.
Não havia ninguém dirigindo na faixa oposta, e nenhuma pessoa em primeiro lugar. Os sinais de tráfego nem funcionavam.
Quando você ficava sem combustível, você simplesmente fuçava por uma casa próxima, e mudava para um veículo diferente.

Sua jornada continua.
Ela continuará até você achar algum tipo de vida além da sua própria.

Sua jornada continua.
Não importa quanto tempo passe.

Sua jornada continua.
Um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década.

Até você achar vida…
Até sua vida se esgotar…
Infinitamente, eternamente…

Claro, como eu disse antes, tudo isto era apenas uma história hipotética.
Mas…

Se alguém assim fosse achar vida… se ela fosse encontrar outra pessoa, então apenas que tipo de cara ela faria?

— Seria… definitivamente uma assim.

Diante de mim estava uma mulher, vestindo um robe que cobria seu corpo inteiro. A cor do robe era próximo de prata.
Do capuz, que cobria quase o rosto dela inteiro, saia leve, claro cabelo prateado que parecia estar envolto em luz.
A compleição dela parecia ser de uma pessoa que havia testemunhado um milagre que ela havia desistido a muito tempo atrás. Ela soltava lágrimas de alegria, e deu um largo sorriso.

『Fukametni temu met mawozamph… Chnitch temu met mawozamph…』

A garota me abraçou enquanto soltava as palavras de uma terra estrangeira.
Não é como se eu pudesse entender qualquer das palavras que ela disse.
Não tinha como eu poder realmente entender o coração dela, os pensamentos dela, ou alegria.
Mas eu podia entender o que ela estava dizendo.

Obrigada por ter nascido… obrigada por estar vivo…

— Naquele dia, em um mundo sem vida, eu encontrei ela.

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